segunda-feira, 21 de maio de 2012

Mais uma história! ♡


Já nos conhecia-mos de vista, já nos tínhamos cumprimentado uma ou duas vezes na escola. Ele e o melhor amigo dele. No ano seguinte ficamos na mesma turma, o ano inesquecível, o suposto último ano de Secundário. Eu, ele a quem vou chamar de Tiago, o melhor amigo dele e a minha melhor amiga.
Visto que na mesma turma existiam alunos com disciplinas diferentes, eu e ele tínhamos as mesmas, e o melhor amigo dele tinha outras, nós saímos mais cedo e acabávamos por ir lanchar enquanto a outra metade da turma tinha as outras aulas, depois íamos ter com eles outra vez no fim. Acabamos por passar horas juntos, conhecemo-nos melhor e ganhamos uma cumplicidade demasiado grande. Sabíamos as respostas um do outro, bastavam trocas de olhares para sabermos o que queríamos. 
Desde que o conheci que percebi que se algum dia tivéssemos alguma coisa, teria de o conquistar com muita calma. Era um rapaz, bastante maduro, mas ainda a crescer!
Um dia, o André, um dos meus melhores amigos perguntou se eu estava interessada nele, eu respondi que não, perguntou então se estava interessada em alguém, insistiu tanto, chateou-me tanto a cabeça com tantas perguntas que eu acabei por dizer que achava piada ao melhor amigo dele. Aquela resposta saiu-me da boca para fora, foi algo estupido, não percebi muito bem o porquê de ter dito aquilo, mas tinha que me escapar daquelas perguntas todas, e foi a primeira pessoa que me veio a cabeça! Talvez fosse a única forma de justificar o facto de passar tanto tempo com o Tiago sem demonstrar o meu interesse directamente nele. Isso acabaria com as perguntas e supostamente deixaria o André calado! (Ainda não sei se esta atitude foi a melhor ou a pior da minha vida, e no fim da história vão perceber porquê.)
Um dia estava eu, ele e o André, e o André decidiu pica-lo, e dizer que eu achava piada ao melhor amigo dele. Recordo como se fosse hoje o seu olhar quando ele lhe disse aquilo, pareceu que o mundo lhe caiu nos pés e que esta bola gigante decidiu dar ainda uns pulinhos em cima dos pés dele para se certificar que o magoava mesmo, e eu fiquei sem reacção porque percebi que o magoei sem querer e porque sei que o André não fez aquilo por mal, sei que ele fez aquilo por mim e pela minha felicidade, sei que ele não percebeu que eu lhe contei a história toda ao contrário. O meu melhor amigo não tinha culpa, porque eu é que lhe menti e ele só me queria ver feliz. 
A verdade é que entre mim e o melhor amigo do Tiago acabaram por começar a existir trocas de olhares, e tentei empurrar o Tiago para a minha melhor amiga, passei a chama-lo de futuro, porque seria o meu futuro “cunhado”.
Como é óbvio, eu rapidamente percebi que o melhor amigo do Tiago não era a pessoa certa para mim, era demasiado infantil, não me dava segurança, não me dava o que eu estava a procura. Tentei afasta-lo sem o magoar e consegui, até bem de mais! 
Passado uns tempos, o meu Mundo deu uma volta de 180º graus, tudo ficou virado ao contrário quando percebi que a minha melhor amiga e o melhor amigo do Tiago decidiram começar a namorar. Não porque sentia alguma coisa por ele (pelo melhor amigo do Tiago), mas sim porque me senti culpada, culpada porque há uns tempos atrás aquela resposta estupida, que não deveria ter saído da minha boca que devia estar mais vezes calada, tinha cruzado caminhos que não se deviam ter cruzado, e ainda por cima os nossos melhores amigos mudaram completamente, ficaram obsessivos um com o outro, só viam “amor” à frente!
E eu? Eu e o Tiago ficamos no mesmo barco, um bocadinho a sofrer pelas atitudes deles, mas também não os podíamos crucificar! Estavam, e ainda hoje estão apaixonados.
Hoje, quase dois anos mais tarde, ninguém sabe que eu menti ao André, nem mesmo o próprio.
Hoje, quase dois anos mais tarde, eu e o Tiago somos vistos como os namorados que não querem assumir que namoram. Conscientemente ou inconscientemente tentamos meter ciúmes um ao outro.
Hoje, quase dois anos mais tarde, eu e ele somos as pessoas mais cúmplices deste Mundo, já nem ligamos quando as pessoas nos tratam como namorados, porque já estamos habituados, quando entramos em lojas, se os funcionários nos tratam como: “Olhe o seu namorado (ou namorada) pediu para ir ver outra camisa!” Nós já nem nos damos ao trabalho de responder que não somos namorados e limitamo-nos a sorrir.
Hoje, quase dois anos de pois, a minha irmã trata-o por cunhadinho e tanto os meus como os pais dele acham que nós namoramos.
Hoje, quase dois anos depois, nós nunca nos beijamos, nunca aconteceu algo mais entre nós. Já passamos noites abraçados onde pura e simplesmente adormecemos, já passamos noites em concertos à chuva abraçados um ao outro, mas nada mais, porque somos ambos muito parecidos na forma de ser, porque somos ambos difíceis de conquistar, porque somos demasiado parecidos na forma como pensamos, porque ambos sabemos que se for para dar certo vai ter de ser com calma.
Na semana passada, fomos passear, pelos sítios do costume, numa “floresta” meia perdida no meio de uma cidade e ele disse-me: “Não te esqueças que sou eu o teu futuro, tu própria o dizias.”
Não sei as voltas que o Mundo vai dar, mas a verdade é que eu, apesar de não admitir a ninguém, tenho mais que certezas que no Futuro, não sei quando, mas sei que não é já, tu serás o meu Presente.

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